AZUL e VERDE
(Para CD.
Pelo seu aniversário, com votos de boa navegação)
* * *
Atirou-se. Não valia a pena ficar a pensar mais no assunto. Ele estava ali já há muito tempo, já se conheciam bem. Era imponente, majestoso, muito convencido da atracção que exercia, não só sobre um, mas sobre os dois géneros. Chegara o seu momento de desfrutar da oportunidade. Agora, ou nunca.
Respirou fundo, encheu o peito de ar, inclinando-se para a frente. Avançou um pé sobre o outro, primeiro, ainda timorata, depois já mais afoita, mas ainda assim temerosa, cerrou os olhos com força… E, de repente, zás, sentiu-se
v
v
v
vvooo
aaa
aaaaaaaar….
Voava! Voava como um pássaro desajeitado, mas voava!!! O penhasco magnífico, a vegetação exuberante, a multidão voyeuse iam ficando para trás. Agora, só o ar. E a água. Lá em baixo, azul e verde, faiscante e infinita, chamando-a, puxando-lhe os pés. Ooh, tanto faz - pássaro ou sereia, uma vez não conta, quer-se mais e mais e mais…
Guinou as correias daquela geringonça, sorrindo, feliz - ” nada mau, para uma primeira experiência de pura liberdade”.
Miriam