Friday, April 27, 2007

AZUL e VERDE

(Para CD.

Pelo seu aniversário, com votos de boa navegação)

                                                                                                                         *  *  *

Atirou-se. Não valia a pena ficar a pensar mais no assunto. Ele estava ali já há muito tempo, já se conheciam bem. Era imponente, majestoso, muito convencido da atracção que exercia, não só sobre um, mas sobre os dois géneros. Chegara  o seu momento de desfrutar da oportunidade. Agora, ou nunca.

Respirou fundo, encheu o peito de ar, inclinando-se para a frente. Avançou um pé sobre o outro, primeiro, ainda timorata, depois já mais afoita, mas ainda assim temerosa, cerrou os olhos com força… E,  de repente, zás, sentiu-se

                  v

                    v          

                      v      

                        vvooo

                                     aaa

                                              aaaaaaaar….

                      Voava! Voava como um pássaro desajeitado, mas voava!!! O penhasco magnífico, a vegetação exuberante,  a multidão voyeuse iam ficando para trás. Agora, só o ar. E a água. Lá em baixo, azul e verde,  faiscante e infinita, chamando-a, puxando-lhe os pés. Ooh, tanto faz - pássaro ou sereia,  uma vez não conta, quer-se  mais e mais e mais…

Guinou as correias daquela geringonça, sorrindo, feliz - ” nada mau, para uma primeira experiência de pura liberdade”.

Miriam

Posted by Miriam at 13:21:19 | Permalink | Comments (2)

Monday, April 23, 2007

Humanos

Somos um cuco esvoaçando

Somos uma sequóia ancestral

Somos a verdade perfeita

Somos um erro fatal

Somos uma sebe desfeita

Somos o crepúsculo matinal

Somos um beco sem saída

Somos o alcatrão inicial

Somos uma bicicleta perdida

Somos uma nave espacial

Somos um Verão junto ao Tejo

Somos um Inverno brumal

Somos o meu e o teu beijo

Somos um eucalipto no Natal

Somos o amor num copo de água

Somos uma fonte visceral

Somos o prazer e a mágoa

Somos o bem, somos o mal

Somos a antítese e todo o contrário

Somos um humano normal

Posted by Marcus Aurelius at 12:21:05 | Permalink | Comments (1) »