Teletubbies: “A Laa-Laa perdeu a bola”, por Andrew Davenport
Um livro infantil, sim. E não é um livro qualquer. É recortado de forma a que a perdida bola, que o título nos revela, se veja a partir de todas as páginas. Não retrata a angustiante perda de alguém com o infeliz nome de Laa-Laa, nem de como o desaparecimento da coisa redonda pode mudar o equilíbrio do mundo. E, ao contrário do que tal acontecimento faria prever, esta é uma “obra” de ficção. Que eu saiba, os coloridos Teletubbies não existem de verdade… Pensando bem, já não tenho tantas certezas. Pode até ser que pululem, contentes, por aí, mas como ultimamente não tenho ido passear ao Chiado não o posso confirmar.
Poderá “A Laa-Laa perdeu a bola” classificar-se de livro? Claro que sim. Não tem capa? Tem. Não tem páginas? Tem. Não conta uma história? Errrr… sim, julgo que conta. Se tem a consistência de bosta e cheira a bosta, então é bosta. Ou merda, dependendo do estrato social e da soltura da língua do leitor destas palavras.
Porque gosto eu deste livro? Porque a minha filha o adora. Este é o livro que faz com ela se mantenha sossegada, sentada no meu colo, a ouvir a douta sabedoria que Andrew Davenport imaginou. Este é o livro que faz com que eu consiga abraçá-la, sem que ela se tente soltar na irreverência dos miúdos. Este é o livro que permite que eu consiga cheirá-la. E ali fico, naquele estado meio sonho, meio doce realidade. Fico ali, apenas, enquanto conto a parva história de um boneco que não consegue apanhar uma parva bola.
Não preciso de 1800 caracteres para dizer o porquê de gostar deste livro, até porque, no departamento dos livros infantis, este é daqueles que ficaria a um canto sem arranjar trabalho. No entanto, a Carolina gosta. E isso chega-me para este ser, hoje, o meu livro preferido.
Ricardo Martins
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